Como identificar um atum e estimar o seu peso pelo comprimento
Duas perguntas repetem-se em cada barco: que atum é? e quanto pesa? As duas respondem-se sem balança e, se o vai libertar, sem o tirar da água. Aqui ficam as chaves para reconhecer as espécies que atacam nas nossas águas e as fórmulas oficiais da ICCAT para passar de centímetros a quilos.
Que atum tem à frente
- Atum-rabilho (Thunnus thynnus): corpo muito robusto, quase cilíndrico; peitorais curtas que não chegam ao início da segunda dorsal; pínulas amarelas com bordo negro; olho pequeno para o tamanho. É o gigante: passa dos 2,5 m e dos 300 kg.
- Albacora (T. albacares): nos adultos, segunda dorsal e anal muito alongadas e amarelas, como duas foices; faixa dourada ao longo do flanco; pínulas amarelo vivo. Peitorais que chegam à segunda dorsal.
- Patudo (T. obesus): olho grande, cabeça e corpo mais atarracados, peitorais longas. Muito frequente nas Canárias e nos Açores, fácil de confundir com uma albacora jovem.
- Atum-voador (T. alalunga): peitorais muito longas, que passam a barbatana anal, e bordo branco na cauda. Tamanho médio muito menor.
- Gaiado (Katsuwonus pelamis): quatro a seis riscas escuras longitudinais no ventre; raramente passa do metro.
Regra rápida: repare primeiro nas peitorais e no olho. Curtas e olho pequeno, rabilho; muito longas, voador; olho grande, patudo; foices amarelas, albacora.
Como medir
A medida de referência é o comprimento à forquilha reto (SFL): da ponta do focinho à forquilha da cauda, em linha reta, com o peixe paralelo ao casco. Se só puder passar a fita sobre o corpo (comprimento curvo, CFL), a ICCAT dá a conversão: SFL = 0,9596 × CFL + 2,1. Marque a fita ou a borda a cada 10 cm e medirá na água quase sem tocar no peixe.

Quanto pesa pelo tamanho
A ICCAT publica relações comprimento-peso por zona e época, porque um atum que acabou de desovar em junho pesa menos do que o mesmo peixe no Cantábrico em setembro. As duas que mais nos afetam:
| Comprimento à forquilha reto | Atlântico, verão (Lino et al. 2021) | Mediterrâneo, maio–junho (Deguara et al. 2017) |
|---|---|---|
| 80 cm | 10 kg | 10 kg |
| 100 cm | 19 kg | 19 kg |
| 120 cm | 32 kg | 32 kg |
| 140 cm | 49 kg | 50 kg |
| 160 cm | 70 kg | 74 kg |
| 180 cm | 97 kg | 104 kg |
| 200 cm | 130 kg | 141 kg |
| 220 cm | 169 kg | 186 kg |
| 240 cm | 214 kg | 239 kg |
| 260 cm | 267 kg | 302 kg |
| 280 cm | 327 kg | 374 kg |
| 300 cm | 395 kg | 457 kg |
Fórmulas: Atlântico verão, peso = 6,116·10⁻⁵ × SFL^2,7494; Mediterrâneo primavera, peso = 2,8684·10⁻⁵ × SFL^2,9076, com o comprimento em centímetros e o peso vivo em quilos. Para o Cantábrico no verão (Luque et al. 2025) os valores são quase idênticos aos do Atlântico.
A regra do perímetro
Se tiver também o perímetro à altura das peitorais, a velha regra dos mestres continua a valer como verificação: peso (kg) ≈ comprimento (cm) × perímetro² (cm) / 28.900. Tende a ficar curta em peixes muito gordos de outono, mas dá uma ordem de grandeza em segundos.
E se o vai libertar
Não precisa de o pesar. Uma foto com o peixe paralelo à borda e uma referência conhecida (o comprimento do cockpit, uma marca no casco) permite estimar o comprimento depois, com calma. É o que fazem os programas científicos de marcação. Como fazê-lo sem magoar o peixe: captura e libertação do atum-rabilho.
Fontes
- ICCAT. Bluefin tuna length-weight relationships (LWR), tabela de parâmetros por zona e época (Lino et al. 2021; Luque et al. 2025; Deguara et al. 2017; Katavic et al. 2018). PDF em iccat.int
- ICCAT. Conversão de comprimento à forquilha curvo para reto: CV074062563.
- Collette, B. B. e Nauen, C. E. (1983). FAO Species Catalogue Vol. 2. Scombrids of the world. FAO Fish. Synop. 125(2).





