Equipamento para pesca do atum-rabilho: amostras, montagens e roupa UPF

Este é o nosso guia de equipamento para o atum-rabilho: que amostras usamos ao corrico, como montamos a linha, o líder e o terminal em cada técnica, que roupa usamos para aguentar dez horas de sol no barco, e onde e quando se usa tudo isto no Estreito de Gibraltar e no Algarve. O que chamamos «a nossa montagem» é o que usamos de facto em Tavira; o resto vem de fabricantes, normas e estudos citados no fim.
Em 30 segundos
- Amostras de corrico: cabeças com saia de 21 a 31 cm. As de 21 cm são engolidas com mais facilidade; as de 26 e 31 cm também pescam. Anzol simples, ou duplo cosido; nunca fateixas.
- O nosso corrico: Shimano Tiagra com 1.000 m de multifilamento hollow core de 200 lb, líder wind-on de nylon de 300 lb ligado loop to loop e travão a 16 kg verificado com balança.
- Popping: hollow core de 130 lb e líder de nylon de 250–300 lb em wind-on. Atenção: o nylon de 300 lb não entra num hollow com menos de 150 lb; com 130 lb, desça para 250 ou 220 lb.
- Roupa: camisola de manga comprida UPF 50+ (deixa passar no máximo 2 % dos UV), gola de pescoço e boné. No mar, o sol também chega refletido.
- Onde e quando: Estreito de maio a agosto, Algarve de junho a setembro. Em Espanha, só captura e libertação com autorização; em Portugal, o pescador lúdico não pode reter o atum-rabilho.
Amostras de corrico para atum: tamanho, cabeça, cor e anzóis
Para atum-rabilho ao corrico de superfície usamos sobretudo amostras de cabeça com saia e plugs de corrico rápido. A cor não é o mais importante: a amostra tem de nadar bem à velocidade do barco, mergulhar deixando um rasto de bolhas e subir a «respirar». A velocidade e o lugar de cada amostra no spread estão no guia de corrico ao atum: velocidade, distâncias e spread. Aqui tratamos do que se escolhe antes de sair: tamanho, cabeça, cor e anzol.
Tamanho: de 21 a 31 cm
As amostras de 21 cm costumam ser engolidas com mais facilidade: o atum apanha-as inteiras e a ferragem é mais segura. As de 26 cm também funcionam muito bem e veem-se de mais longe. Este ano, em Tavira, pescámos até com amostras de 31 cm, e sobretudo com a Yo-Zuri Bonita, um plug de corrico rápido com corpo de uretano e armação de aço que o distribuidor indica para mais de 10 nós. Com atum grande a comer à superfície, o tamanho não assusta.
As nossas Tuna-X de corrico existem em 26 cm (600 g) e 31 cm (1.000 g), com alma de aço inoxidável e chumbo de equilíbrio, e nadam de 5 a 12 nós. Vendem-se sem anzol, com duplo Jinkai ou com simples Jinkai montado com destorcedor e argola.
Forma da cabeça
| Cabeça | Como nada | Onde vai |
|---|---|---|
| Inclinada (slant) | Ziguezague para os lados e para cima e para baixo; mergulha com um rasto branco longo e salta e salpica a cada 5 a 8 segundos | Perto do barco, na 2.ª ou 3.ª onda: é a que chama |
| Côncava (cupped) | Como um torpedo logo abaixo da superfície, com algum abanar; muitas bolhas e pouco salpico. Aguenta mar de popa e de proa | Nos tangones; indispensável com mau tempo |
| Jet (furada) ou bala | Direita e calma, com jato de bolhas; aguenta velocidade | Longe: tangone comprido ou shotgun, onde o peixe precisa de uma presa fácil |
Dados de natação: Bart Miller (InTheBite, 2021) e Jack Tullius (Black Bart). Um spread equilibrado mistura cabeças: várias inclinadas para chamar e alguma côncava ou jet para o peixe rematar.
Cor
Água azul e sol: cores naturais (pérola, azul, sardinha) ou vivas. Água verde ou turva: escuras com contraste (azul-marinho, preto, roxo). Céu encoberto e primeiras horas: preto e roxo (Horne, In The Spread; Unkart, FishTalk). A silhueta pesa mais do que o tom: se uma amostra roda ou patina, corrija primeiro a posição ou a velocidade e só depois a cor. O guia de corrico desenvolve isto.
Anzóis: simples, duplo cosido e nunca fateixas
- Simples: é o que recomendamos. Ferra bem, solta-se melhor e é mais seguro a bordo. Byrd e Cochrane verificaram que o anzol simples montado rígido dava os mesmos resultados do que o duplo em atum, dourado e serra.
- Duplo, só cosido: se montar dois anzóis, têm de ir cosidos (atados em rígido) para não rodarem, não se cruzarem e não se prenderem na saia.
- Nunca fateixas numa amostra de corrico.
O que mostrou o programa CHART: no ensaio de captura e libertação do Cefas (Inglaterra, 2021), 15 barcos pescaram atum-rabilho sobretudo ao corrico de superfície e sem fateixas. Dos 901 atuns ferrados, mais de 99 % estavam presos na boca ou na mandíbula; dos 10 que morreram, cinco foi por anzóis engolidos ou cravados fora da boca (Phillips et al., 2022). A montagem faz parte da libertação: como libertar bem um atum-rabilho.
Cana, carreto, linha e líder: o equipamento por técnica
Este é o resumo do que levamos a bordo para atum-rabilho grande no Algarve e no Estreito. Abaixo explicamos cada montagem passo a passo.
| Corrico | Isco vivo com cana de corrico | Popping e stickbait | |
|---|---|---|---|
| Carreto | Shimano Tiagra (de alavanca) | O mesmo Tiagra | Spinning tamanho 14000–20000 |
| Cana | De corrico, adequada ao carreto | A mesma de corrico | De lançamento de 2,40–2,50 m para PE 6–10 |
| Linha | 1.000 m de hollow core 16X de 200 lb | A mesma | Hollow core de 130 lb |
| Líder | Nylon Varivas SMP de 300 lb em wind-on | Líder de nylon | Nylon de 250–300 lb em wind-on (250 ou 220 lb com hollow de 130 lb) |
| Ligação | Loop to loop | Chumbo de 250–300 g na junção nylon-multifilamento | Wind-on ao multifilamento |
| Terminal | Destorcedor Owner de 500 lb + argola Owner 11H | Anzol VMC 12/0 ou 10/0 (8/0 com isco pequeno), brida de elástico e balão | Duas fateixas e argolas como as de corrico (mais pequenas nas amostras pequenas) |
| Anzol da amostra | Simples, ou duplo cosido; nunca fateixa | — | Fateixa da frente com a ponta para a frente e a de trás para trás |
| Travão | 16 kg em strike, com balança | Como no corrico | De 25 % a um terço da resistência da linha, mais para baixo com multifilamento |
As canas e carretos de lançamento para popping, com as gamas de gramas e de PE, estão detalhados no guia de popping e stickbait para atum.
Erros que custam peixes
- Travão a olho. Sem balança ninguém acerta: quase sempre fica fraco com a cana direita e duro na luta.
- Nó grosso em vez de wind-on. Com líderes de 250–300 lb, um nó de ligação bate nas passadeiras quando o líder tem de entrar no carreto. O wind-on enrola na bobina.
- Líder que não cabe no hollow. Se o nylon entra à força, o multifilamento fica aberto e a emenda pode escorregar.
- Fateixas no corrico. Mais dano ao peixe, pior libertação e um risco sério para quem pega no líder.
- Não rever depois de cada peixe. Laçadas, líder e argolas verificam-se depois de cada luta longa; o nylon raspado troca-se.
A nossa montagem de corrico, passo a passo
No corrico trabalhamos com um Shimano Tiagra carregado com 1.000 m de multifilamento Hollow Core 16X de 200 lb (Warfire). O multifilamento oco permite meter o nylon do líder dentro do próprio multifilamento: a ligação fica sem nó, passa nas passadeiras e enrola no carreto. Por isso se chama wind-on leader, e por isso o peixe pode ser trazido até ao costado sem ninguém ter de agarrar o líder ao longe. A Mustad resume-o na ficha do seu hollow core: o nylon emendado dentro do multifilamento é a ligação mais forte entre linha e líder.
- Carregue o carreto. 1.000 m de hollow core 16X de 200 lb no Tiagra.
- Prepare o wind-on. Corte um troço do mesmo hollow core de 200 lb. Com a agulha para 300 lb, meta o nylon Varivas SMP Shock Leader de 300 lb dentro do multifilamento oco.
- Faça as duas laçadas. Com a agulha de gancho faz-se a laçada (loop) do multifilamento do carreto e a laçada do próprio wind-on, emendando o multifilamento sobre si mesmo, sem nós.
- Remate a emenda. A entrada do nylon no multifilamento fixa-se com uma ligadura (serving). Sam Hudson (Sport Fishing) resume o trabalho em três passos: laçada, enfiar o líder e ligar a junção.
- Una linha e líder loop to loop. Laçada com laçada: troca-se o líder num minuto sem cortar nada.
- Monte o terminal. No fim do líder, um destorcedor Owner de 500 lb e depois uma argola Owner 11H, onde vai a amostra.
- Ajuste o travão a 16 kg com balança. Alavanca em strike, linha passada nas passadeiras e cana curvada como na luta: puxe com a balança até o travão ceder.
O elo mais fraco: segundo as tabelas da Owner publicadas pelas lojas, a argola 11H aguenta cerca de 290 lb (131 kg); o destorcedor 500 lb e o líder 300 lb. Tudo fica muito acima dos 16 kg de travão: o objetivo é que nada ceda por fadiga depois de uma luta longa.
Porquê 16 kg de travão
As referências clássicas põem o travão em strike entre 25 % e um terço da resistência da linha (Rudow, Sport Fishing, 2018), e algumas revistas sobem a metade para o «full» no fim da luta (Barrett, On The Water, 2021). Com um multifilamento de 200 lb (cerca de 91 kg), seriam 23 a 30 kg. Nós deixamo-lo em 16 kg, cerca de 18 % do multifilamento. Tem lógica:
- O limite não é o multifilamento. O que aguenta a pressão durante horas é a cana, o arnês e quem luta. 16 kg são cerca de 35 lb: 27 % de 130 lb, a classe de linha mais alta da IGFA (60 kg). É o travão em strike de um equipamento clássico de 130 lb.
- O travão sobe sozinho. À medida que o peixe esvazia a bobina, o diâmetro útil diminui e a força para tirar linha aumenta (Rudow, 2018). Com 1.000 m no carreto, a diferença entre bobina cheia e meia bobina é grande.
- Fica margem. Se for preciso, sobe-se a alavanca para «full» no fim da luta para levantar o peixe.
Luta curta sem partir: é o que a libertação pede. O que acontece depois junto ao casco está no guia de captura e libertação.
Isco vivo com cana de corrico
Quando o atum está na zona mas não entra às amostras, ou come sobre uma bola de isco, pescamos com isco vivo usando o mesmo equipamento de corrico.
- Anzol. VMC 12/0 ou 10/0, e 8/0 para os iscos pequenos.
- Brida de elástico. Com a agulha atravessa-se o nariz do peixe que serve de isco e passa-se o elástico (brida); o anzol fica por fora, preso pelo elástico, sem atravessar o isco. A ponta fica livre para ferrar e o isco nada com mais força e dura mais tempo vivo (Weakley, Florida Sportsman, 2025).
- Chumbo de 250 a 300 g. Mesmo onde o nylon se une ao multifilamento.
- Balão. Ata-se aos metros que quiser acima do isco: essa distância marca a profundidade de trabalho. Veja na sonda a que profundidade estão o peixe ou o isco e ajuste.
Dica de mestre: com isco natural, se vai libertar o peixe, pense no anzol circular. Num estudo com atuns-rabilho juvenis, o circular ficou cravado na mandíbula em 94 % dos casos e o anzol direito só em 52 % (Skomal e colaboradores, 2002). Com circular não se ferra de golpe: deixa-se a linha esticar sozinha.
Popping e stickbait: a nossa montagem
Quando lançar, como chegar a uma caçada e como animar cada amostra está no guia de popping e stickbait. Aqui, só a montagem que usamos para atum-rabilho grande:
- Linha: hollow core de 130 lb. Mais fina do que a de corrico, para lançar longe e caber num carreto de spinning.
- Líder: nylon de 250 a 300 lb montado em wind-on, como no corrico.
- Amostra com duas fateixas: a da frente com a ponta para a frente e a de trás com a ponta para trás, para não se cruzarem entre si nem com o líder.
- Argolas: como as de corrico, exceto nas amostras pequenas, que levam uma argola mais pequena para não lhes tirar natação.
Porque é que o líder de 300 lb não cabe num hollow de 130: para meter um nylon de 300 lb dentro do multifilamento é preciso um hollow core de 150 lb no mínimo; caso contrário, tem de se descer para nylon de 250 lb ou até 220 lb. É uma questão de diâmetro: a Varivas dá 1,66 mm para o seu SMP de 300 lb, 1,48 mm para o de 250 e 1,39 mm para o de 220. Por isso, com o hollow de 130 lb do popping, o nosso líder costuma ser de 250 ou 220 lb.
São líderes mais grossos do que os 100–170 lb que os fabricantes costumam indicar para popping. Usamo-los porque o atum-rabilho do Algarve e do Estreito pode passar dos 100 kg, porque o líder roça na boca durante uma luta longa e porque um líder forte permite encurtar a luta, que é o que mais ajuda a libertação.
Fateixas e libertação: as fateixas fazem mais dano ao peixe e custam mais a tirar do que os anzóis simples. Se vai libertar o peixe, esmague as barbelas. Em alguns programas de captura e libertação, como o de Inglaterra, as fateixas são proibidas: confirme as regras do sítio onde pesca.
Popper
Cabeça côncava que salpica e faz barulho.
- Para chamar com caçadas dispersas ou mar picado.
- Na nossa gama, as Tuna-Z Fang.
Stickbait
Perfil de lápis que faz ziguezague à superfície ou logo abaixo.
- Para atum seletivo ou mar chão.
- Tuna-Z Walker.
Perfil de peixe-voador
Popper com silhueta de peixe-voador que salta e cai de lado.
- Quando o atum caça peixes-voadores.
- Tuna-Z Wing.
Roupa para o sol: camisola UPF 50+, gola de pescoço e boné
No barco, o sol chega de cima e refletido na água. A OMS indica para a espuma do mar uma reflexão de cerca de 25 % dos UV, lembra que a água quase não protege e pede proteção a partir de um índice UV de 3, reforçada a partir de 8. Os estudos com dosímetros em pescadores confirmam-no: o INSST espanhol mediu em frotas espanholas exposições que triplicam os critérios de referência, mais altas nos barcos pequenos, e no Adriático 43 % dos dias medidos ultrapassavam largamente o limite profissional com a pele descoberta (Modenese et al., 2019).
O que é o UPF e como se mede
O UPF (fator de proteção ultravioleta) mede quanta radiação UV um tecido deixa passar. Mede-se em laboratório com um espectrofotómetro: ilumina-se o tecido, mede-se a transmissão em toda a gama UV e pondera-se pela capacidade de queimar a pele. Um UPF 50 deixa passar 1/50 dos UV, 2 %; bloqueia 98 %.
- AS/NZS 4399 (Austrália e Nova Zelândia, revista em 2017). Classifica em UPF 15 (mínima), 30 (boa) e 50 ou 50+ (excelente), e desde 2017 exige também uma cobertura mínima do corpo para se poder rotular a peça.
- EN 13758 (Europa): a parte 1 fixa o método de ensaio e a parte 2 a rotulagem. Para levar o rótulo «UPF 40+», a peça tem de ultrapassar UPF 40 e deixar passar menos de 5 % de UVA.
- Skin Cancer Foundation: só dá o seu selo a tecidos com UPF 50.
| UPF | UV que deixa passar | Classe AS/NZS 4399 |
|---|---|---|
| 15 | 6,7 % | Mínima |
| 30 | 3,3 % | Boa |
| 50 e 50+ | 2 % ou menos | Excelente |
UPF e SPF não são a mesma coisa
O SPF é dos protetores solares: calcula-se sobre a pele, pelo tempo que demora a avermelhar, e mede sobretudo a proteção contra UVB. O UPF é dos tecidos e cobre UVA e UVB. Além disso, o protetor só protege o que diz o rótulo se for aplicado em quantidade e reaplicado; a camisola protege igual às oito da manhã e às quatro da tarde. A OMS põe a ordem assim: sombra, roupa e chapéu primeiro, e protetor no que fica descoberto (cara, mãos), nunca para ficar mais tempo ao sol.
Vale a pena uma camisola UPF?
Uma t-shirt de algodão branca normal tem um UPF de cerca de 7, que molhada desce para cerca de 3 (Skin Cancer Foundation). Na Universidade de Málaga analisaram 50 peças de verão: a maioria das t-shirts desportivas de malha dava proteção excelente e as camisas normais muito baixa; o que mais conta é o tecido ser fechado (Aguilera et al., 2014). Num segundo estudo com 34 t-shirts técnicas 100 % poliéster, mais de 75 % atingiram proteção excelente (UPF 40 a 50+), as de camada dupla protegiam mais, molhá-las com água ou suor aumentou a proteção mais de 20 % e a cor não teve influência (Aguilera et al., 2023).
Molhado, ganha o poliéster: num ensaio com 69 tecidos de verão, o UPF do algodão desceu ao molhar, enquanto o do poliéster, do linho e da viscose subiu. A água salgada deu praticamente o mesmo resultado que a da torneira (Gambichler et al., 2002). Num barco, onde a camisola acaba molhada de borrifos ou de suor, é um argumento a favor do poliéster técnico.
Manga comprida, capuz, gola de pescoço e boné
- Manga comprida: antebraços e costas das mãos são o que mais sol apanha quando se luta com um peixe ou se trabalha no cockpit. Melhor larga: esticar o tecido abre a trama e deixa passar mais UV.
- Capuz: cobre a nuca e as orelhas, que o boné deixa a descoberto. Útil ao meio-dia e com o barco parado.
- Gola de pescoço: pescoço, orelhas e meia cara. Completa o boné: a Skin Cancer Foundation pede uma aba de pelo menos 7,5 cm para dar sombra às orelhas e à nuca, e um boné de pala não a tem.
- Boné: tecido fechado em vez de palha aberta; dá sombra aos olhos e à testa.
- Óculos polarizados envolventes: a OMS recomenda-os com proteção lateral; no mar, permitem também ver o peixe e a amostra.
As nossas camisolas, golas e bonés são UPF 50+. Seja qual for a marca, procure no rótulo a norma (AS/NZS 4399 ou EN 13758) e não só o número.
Onde e quando: atum-rabilho no Estreito e no Algarve
O atum-rabilho do Atlântico oriental entra no Mediterrâneo pelo Estreito de meados de maio a junho para desovar e volta a sair entre o fim de junho e agosto; parte desses peixes fica a comer ao largo do Algarve no verão. O ciclo completo, com as marcas de satélite que o demonstram, está no guia das rotas migratórias do atum-rabilho.
| Zona | J | F | M | A | M | J | J | A | S | O | N | D |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Estreito e Cádis | · | · | · | · | ● | ● | ● | ● | · | · | · | · |
| Algarve | · | · | ● | ● | ● | ● |
● intenso: pico de passagem · ● normal: época habitual · · ocasional: início ou fim de época, ou peixes residentes. É a presença do peixe, não a época de pesca aberta.
Estreito: Barbate, Tarifa e Cádis
Peixes grandes de passagem, em maio e junho à entrada e em julho e agosto à saída. Fora dessas datas ficam peixes residentes, mais pequenos.
- Zona de armações (almadrabas) e de frota profissional de cana: é preciso manter pelo menos 500 m dos barcos que pescam tunídeos à cana.
- Corrico na corrente e popping quando se veem caçadas.
Algarve: Tavira, Portimão e Albufeira
De junho a setembro, com peixes que saem do Mediterrâneo e ficam a comer. As armações do Algarve trabalhavam de meados de abril ao fim de agosto.
- Tavira, a leste, é onde nós pescamos: corrico, isco vivo e popping.
- Portimão e Albufeira, a oeste, têm frota de pesca grossa, com espadim em agosto e setembro.
As regras em duas linhas: em Espanha, captura e libertação de 16 de junho a 14 de outubro, com autorização gratuita e declaração na PescaREC em 24 horas; em 2026 a quota esgotou-se e a pesca fechou a 20 de junho (PescaREC passo a passo). Em Portugal, o pescador lúdico não pode reter atum-rabilho: liberta-se de imediato e regista-se na app RecFishing; só a pesca turística autorizada o pode capturar.
Se libertar um atum e quiser saber quanto pesava, calcula-se pelo comprimento sem o tirar da água: tabela comprimento-peso e calculadora.
Charter com a Aerovik. Se quer experimentar com o equipamento já montado, organizamos saídas ao atum-rabilho no Algarve e no Estreito de Gibraltar, com canas, carretos e aparelhos a bordo. Pede-nos uma data, confirmamos a disponibilidade e o preço é sob consulta: peça uma data para o seu charter.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor amostra de corrico para atum-rabilho?
Uma amostra de cabeça de 21 a 26 cm que nade bem à sua velocidade, com anzol simples; com atum grande a comer, também de 31 cm. Cores naturais com sol e água limpa, escuras ou com contraste com pouca luz ou água turva.
Que líder usar para atum-rabilho?
No corrico usamos nylon de 300 lb montado em wind-on e ligado loop to loop. No popping, de 250 a 300 lb; se o hollow core for de 130 lb, o de 300 não entra e é preciso descer para 250 ou 220 lb.
Que carreto e que travão para atum-rabilho?
No corrico, um carreto de alavanca como o Shimano Tiagra com 1.000 m de hollow core de 200 lb e o travão em strike a 16 kg verificado com balança. No popping, um spinning tamanho 14000 a 20000 com o travão entre 25 % e um terço da linha.
O que é uma camisola UPF 50+ e funciona mesmo?
É uma peça cujo tecido deixa passar no máximo 2 % dos UV, medido em laboratório segundo normas como a AS/NZS 4399 ou a EN 13758. Funciona: uma camisola técnica de poliéster mantém ou melhora a proteção molhada, enquanto uma de algodão branco anda por UPF 7 seca e 3 molhada.
UPF e SPF são a mesma coisa?
Não. O SPF é dos protetores solares, mede-se sobre a pele e refere-se sobretudo aos UVB; o UPF é dos tecidos e cobre UVA e UVB. O ideal é roupa UPF no corpo e protetor na cara e nas mãos.
Pode-se pescar atum-rabilho no Algarve?
Em Portugal o pescador lúdico pode pescá-lo mas não retê-lo: liberta-se de imediato e declara-se na RecFishing. Só a pesca turística autorizada pode ficar com exemplares, dentro de uma quota muito pequena.
Fontes
- Bart Miller, InTheBite (2021). Slant vs. Cupped Head Lures: Action Makes the Difference.
- Jack Tullius (Black Bart Lures), Rok Max. Guide To Trolling Lure Spreads & Positions.
- Seth Horne, In The Spread (2026). Running Tuna Trolling Lures That Raise Fish.
- John Unkart, FishTalk Magazine. Yellowfin Tuna Fishing Tactics Part One: Trolling.
- Bobby Byrd, John Cochrane, Texas Saltwater Fishing Magazine (2009). Lure Rigging Tips.
- Flashmer (distribuidor Yo-Zuri). Bonita (S) 210 mm: ficha técnica.
- Mustad. Hollow Core Braid (ML02).
- Varivas. Avani Shock Leader SMP [Nylon]: tabela de diâmetros.
- Compleat Angler. Owner Hyper Wire Split Rings: tabela de resistências.
- Sam Hudson, Sport Fishing (2014). Top Wind-On Leader Videos.
- Rudow, L. (2018). How to Set and Use Reel Drag. Sport Fishing.
- Pete Barrett, On The Water (2021). How to Fight a Tuna.
- IGFA. International Angling Rules.
- Jeff Weakley, Florida Sportsman (2025). Step by Step: How to Bridle-Rig Offshore Live Bait.
- Skomal, G. B., Chase, B. C. e Prince, E. D. (2002). A comparison of circle hook and straight hook performance in recreational fisheries for juvenile Atlantic bluefin tuna. American Fisheries Society Symposium 30: 57-65. fisheries.org
- Phillips, S., Ford, J., Murphy, S. et al. – Cefas (2022). Summary of the 2021 pilot year Catch and Release Tagging (CHART) programme in Southwest England. Collect. Vol. Sci. Pap. ICCAT 79(3): 945–951.
- Angling Trust, Defra, MMO, Cefas e Natural England (2026). 2026 Code of Conduct for Recreational Catch-and-Release Atlantic Bluefin Tuna Fishery.
- Daiwa: fichas técnicas de Saltiga Stick'n Pop e Saltiga Popper.
- OMS, PNUA, OMM, ICNIRP e BfS (2002). Global Solar UV Index: A Practical Guide. WHO/SDE/OEH/02.2.
- INSST (2024). Study of occupational exposure to ultraviolet solar radiation on fishing vessels. DT.115.2.24.
- Modenese, A., Ruggieri, F. P., Bisegna, F. et al. (2019). Occupational Exposure to Solar UV Radiation of a Group of Fishermen Working in the Italian North Adriatic Sea. Int. J. Environ. Res. Public Health 16(16): 3001.
- ARPANSA. Labelling sun protective clothing (AS/NZS 4399:2017).
- Cancer Council SA. SunSmart: Sun protective clothing (percentagem bloqueada por cada classe de UPF).
- CEN. EN 13758-2: Textiles. Solar UV protective properties. Classification and marking of apparel.
- Skin Cancer Foundation. Sun-Protective Clothing.
- Aguilera, J., de Gálvez, M. V., Sánchez-Roldán, C., Herrera-Ceballos, E. – Universidade de Málaga (2014). New advances in protection against solar ultraviolet radiation in textiles for summer clothing. Photochemistry and Photobiology 90(5): 1199–1206.
- Aguilera, J., Navarrete-de Gálvez, E., Sánchez-Roldán, C., Herrera-Ceballos, E., de Gálvez, M. V. – Universidade de Málaga (2023). Sun-protective Properties of Technical Sportswear Fabrics 100% Polyester: The Influence of Moisture and Sweat. Photochemistry and Photobiology 99(1): 184–192.
- Gambichler, T., Hatch, K. L., Avermaete, A., Altmeyer, P., Hoffmann, K. (2002). Influence of wetness on the ultraviolet protection factor (UPF) of textiles: in vitro and in vivo measurements. Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine 18(1): 29–35.
- Aranda, G. et al. (2013). Spawning behaviour and post-spawning migration patterns of Atlantic bluefin tuna ascertained from satellite archival tags. PLOS ONE.
- Medina, A., Magro, A., Macías, D. e Varela, J. L. (2022). Monitoring the reproductive status of resident and migrant Atlantic bluefin tuna in the Strait of Gibraltar. Marine Ecology Progress Series 697: 97–108.
- Fonteneau, A. e Pereira, J. G. (2012). Analysis of the daily catch and effort data of the bluefin Algarve trap fishery during the years 1898–1900. Aquatic Living Resources 25(4): 297–310.
- MAPA. PescaREC.
- BOE. Resolução de 28 de maio de 2026 da Secretaria-Geral de Pescas de Espanha (atum-rabilho 2026); Real Decreto 347/2011, artigo 12.
- DGRM (2026). Despacho n.º 9/DG/2026 (atuns; repartição da quota de atum-rabilho) e perguntas frequentes da app RecFishing.




